quinta-feira, 24 de julho de 2008
Contando meus Dias...
Antônio Pompéia
Se eu pudesse desenharia seu nome com nuvens
E o céu como pano de fundo de uma história de amor
Faria de seus braços minha morada eterna
E do que há em meu coração sua casa...
Eu conto meus dias depois que te conheci
Eu canto meus dias depois que te vi
Eu sei, parece bobagem;
Mas me sentiria em Marte se não falasse o que sinto.
Eu caminhei centenas de milhas procurando
Buscando e fazendo uma prece silenciosa
Quando dentro do coração ansiava o que em você vejo hoje
E desde agora para sempre,
As vezes me pego sussurrando seu nome sonhando acordado...
Rio de Janeiro, 7 de Julho de 2008 – 14:12 de uma Segunda - Feira cheia de saudades...
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Uma Graça que me torna Feliz
Uma graça que me torna feliz.
Antônio Pompéia
- Plaft!
Veio como uma onda que bate forte nas costas enquanto se olha para a areia da praia com a sensação de desolamento como de quem vê uma cidade
Um novo suspiro. Uma janela se abre e a luz dos seus olhos a convida para uma sala e, repentinamente, sem aviso prévio, ela se instala em seu coração, sem que antes ele pudesse respirar. Um novo suspiro. Agora de paz. Uma paz maior que se assemelha a mãe que procura o filho perdido na multidão, e que, abraçando-o em meio às lágrimas que regam as boas sementes, não se cansa de recitar versos de amor embalados pelos braços e confirmados pelos lábios e o calor do coração.
A aurora veio como um sorriso nas trevas. Aquela sensação de abandono parece ser sufocada pela emoção não mentirosa da presença dela. Engravidado pelas palavras que ela sussurra em seus ouvidos, ele gera a vida novamente em si mesmo e, imarcescivelmente, as cores e os perfumes das flores permanecem eternas embriagando como Absinto um milhão de beijos elétricos.
Antônio Pompéia, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 2007 - 17:23 da Tarde chuvosa, fria e tétrica, mas poética...
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Das tripas, coração...
Das tripas, coração...
Antônio Pompéia
“Das tripas, coração”. Adélia Prado, inspirada, poetizou um dito popular. Encantou com palavras uma expressão que faz sentido a vida. Ser capaz de transformar as vísceras em expressões de amor. Isto é coisa de quem sabe o que é poesia, de quem fotografa jardins com olhos da alma quando tudo é sequidão ou, ainda, de quem consegue pintar a beleza diante do caos quando, nas entranhas do próprio ser, as cores já se tenham desbotado ou se perdido no fim de um dia soturno.
Das tripas, coração. A intensidade do amor confesso é externalizado, por muitas vezes, do íntimo de um coração apertado, esmagado pelas prensas psicológicas e ferido por causa da frieza dos ventos que sentem quem é deixado do lado de fora, ou na maioria das vezes, de lado.
Das tripas, coração. É a lágrima que rola com sentimento de não esperar nada
Das tripas, coração. Do jardim para a cruz. Da cruz para um canto frio. Mas quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feita pelo coração? Assim cantava o poeta... E assim, o grande Autor das coisas feitas pelo verdadeiro coração que se move de intima compaixão, fez brotar água em olhos que estavam sedentos de esperança. A noite pode durar uma vida de choro, e a morte pode durar três dias, mas o sal da dor será vertido em riso, porque serão limpos, de todos os olhos, todas as lágrimas.
Das tripas, coração...
Antônio Pompéia. Rio de Janeiro, 18 de Junho de 2008. 1:41 hrs. de uma noite fria, de ventos gelados, e de tripas e coração.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Este Silêncio de Você...
Este silêncio de você...
(Antônio Pompéia)
É como se não houvesse mais pássaros,
Pois o canto cessou,
O riacho secou,
E o sol se esqueceu de se por.
Este silêncio que me enjaula
Que mumifica-me com ataduras de saudade,
Que de tão só, grita e agoniza pela sua companhia.
Este silêncio de você.
É como querer contar estrelas não tendo céu,
Buscando brilho onde as cores se escondem,
Onde me vejo em mim mesmo,
Quando em mim mesmo reina,
Este silêncio de você.
Traduzindo,
Hoje eu sinto saudade.
Rio de Janeiro, nas primeiras horas de 5 de Maio de 2008 – 2:47 hs.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
O meu instante seu. Nossa eternidade...
O meu instante seu. Nossa eternidade...
(Antônio Pompéia)
Você me ganhou em um instante,
Como quem se rende no último suspiro,
Conhecendo a eternidade,
Num olhar paralisante,
Onde não há forças para lutar contra
E onde há paz por ser vencido.
O meu instante seu,
Suficiente para ser para sempre...
Antônio Pompéia, 15 de Maio de 2008 – 1:38 da madruga...
Amor
Amo-te de paixão...
De amor mais que amor,
De carinho que faz esquecer dor,
De sua presença que afasta fantasmas,
De seu sorriso que me traz graça e alegria,
De seu abraço que conforta,
De sua pele que me aquece,
De seu cheiro que me encanta,
De seu corpo que me faz lembrar que em mim mesmo está você...
Um beijo seu cessa o pranto,
Seu olhar se faz encanto,
Sussurrar é poesia
Quando você me detém em estrofes
Escritas em suas mãos.
Antônio Pompéia, 15 de maio de 2008 – 1:22 da madruga...
Amanhã...
Amanhã
Um lamento de hoje que não servirá para outro dia.
(Antônio Pompéia)
Amanhã é o dia em que o preguiçoso acordará em si mesmo e começará a trabalhar,
Amanhã é o dia em que ninguém deverá esquivar-se ou se esconder do que clama,
Amanhã é o dia em que devemos nos sentar e escrever
Aquelas cartas de amizade nos quais pensamos na noite que passou.
O dia em que seremos amáveis e seremos bons,
Amanhã é o dia em que viveremos como devemos.
Amanhã é o dia em que nossas dívidas serão pagas,
Quando ninguém sobre esta Terra cometerá os mesmos erros novamente,
Amanhã é o dia em que os maus se arrependerão; se contristarão pelos seus feitos.
O dia em que o tirano sem misericórdia será imparcialmente piedoso e sua ira abrandada,
Amanhã é o dia do milagre que tantos esperam ter,
Quando ninguém mais terá fome de conforto ou de alegria.
Amanhã é o dia em que o avarento se tornará bom samaritano,
O egoísta em amigo sincero e despretensioso,
O dia em que o homem ocupado terá tempo para brincar com seus filhos,
Será o dia em que um ajudará o outro que está lutando para levantar-se,
E o grande dia de reflexão para quem nunca parou para pensar no valor do instante,
E os alcoólatras, de beber a própria vida, cessarão junto com a dor das feridas abertas.
E então será o dia, o grande dia, o dia de tomar o cálice da alegria da vida.
Amanhã será o dia em que os tolos tornar-se-ão sábios,
O dia em que cedo se levantarão os doentes de seus leitos de morte,
O dia em que os rudes se tornarão gentis, e falarão com brandura,
O pecador será chamado de santo e as aparências trocadas pela essência,
Os amargurados não mais se queixarão,
E o espetáculo do amanhecer e entardecer será tido como um momento de adoração,
Fazendo reverência ao Criador que se assentará no trono do coração de cada um.
Essa utopia é alcançável se cada um desejar que o amanhã se torne em hoje,
E o hoje é agora...
A oportunidade de fazer o bem,
De não deixar para amanhã a cura que ressuscita hoje,
Que limpa as lágrimas que caíram e que desenha sorrisos nas faces enrugadas.
Viva hoje como se o amanhã pudesse não chegar.
E pode ser que não chegue.
Antônio Pompéia, Rio de Janeiro, 19 de Junho de 2007, 14:41, tentando montar meu quebra-cabeça de mim mesmo.
